INSÔNIA E GANHO DE PESO


Dormir bem, atualmente, já virou um artigo de luxo. Isso porque a vida moderna, apesar de ter nos conferido muita praticidade, como enviar mensagens imediatas e em tempo real, assistir documentários do mundo inteiro, ter energia local para leitura de um livro ao lado da cama, dentre outras facilidades que faz com que nosso cérebro esteja sempre no modo ONLINE. Porém, não é exatamente dessa forma que nosso cérebro deveria se comportar.
Ao anoitecer, nossas glândulas cerebrais começam a liberar hormônios capazes de fazer nosso gradual "desligamento", ou seja, substâncias que induzem o início do sono para que possamos repousar.
Porém, a modernidade das grandes metrópoles trouxe também a dificuldade do ser humano em exercer de forma eficiente essa fisiologia de desligamento.
Isso acontece porque o principal hormônio responsável pelo sono, a melatonina, tem sua produção retardada quando alguns fatores (principalmente externos) influenciam a sua secreção. Dentre esses, o excesso de luz incididos na retina ocular e ruídos ambientais são situações extremamente prejudiciais para o adequado funcionamento desse hormônio.
Estudos demonstram que insônia a longo prazo tem o potencial significativo de alterar dois hormônios importantes envolvidos com a percepção de "fome" e "saciedade".
Vamos falar brevemente sobre eles?
GRELINA - Esse hormônio é capaz de induzir a fome no ser humano. Quando o organismo percebe ausência de alimento no estômago (jejuns prolongados) esse hormônio sinaliza o cérebro de que a falta de alimentos podem gerar queda de energia e consequentemente colocar em risco a manutenção da vida. Deste modo, o cérebro prontamente responde, através dos nervos, aumentando a sensação que conhecemos como "fome", que é a vontade de ingerir alimentos para obtenção rápida de energia.
LEPTINA - Por outro lado, inteligente que é, assim que o estômago identifica a presença de alimentos, ele sinaliza o sistema nervoso central de que já não há mais necessidade de obtenção de alimentos. Naturalmente o organismo tem a percepção de "saciedade", plenitude e satisfação, cessando o ato de "comer".
Sabendo disso, fica fácil entender o motivo pelo qual a insônia é capaz de aumentar o risco para o aumento de peso. A privação de sono crônica altera consideravelmente a secreção e eficiencia desses dois hormônios. Verifica-se um aumento expressivo de secreção de grelina e redução considerável de leptina. Ou seja, quanto mais grelina circulante, maior é a sensação de fome ao longo do dia. Mesmo que você faça a ingestão de alimentos de alta densidade calórica (ricos em carboidratos e gorduras) o seu organismo não vai entender que é hora de parar, justamente porque o hormônio envolvido na percepção de saciedade (leptina) está reduzido em decorrência da privação de sono.
Deste modo, a longo prazo, você começa a desenvolver sintomas de compulsão alimentar, como comer de madrugada, comer rápido demais, ansiedade e culpa ao término da refeição, sentimento de falta de controle absoluto sobre suas próprias escolhas alimentares.
Outro motivo e não menos importante, é que quanto mais tempo você passa acordado pela madrugada, maiores são as tendências em "atacar" a geladeira e despensa.
Esses dois motivos são os principais responsáveis, porém não os únicos, pelo aumento de peso excessivo em pessoas que dormem pouco e/ou dormem muito mal.

 

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